Dicas para lidar melhor com o Lúpus

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Dicas para lidar melhor com o Lúpus

Mensagem  Daniella Pessoni em Qua 04 Jun 2008, 13:06

Aproveite Bem Suas Consultas ao Médico


Visitas ao médico é uma das constantes para quem tem uma doença crônica. Ir ao médico quando você tem lúpus, ou quando há uma suspeita de que você tem lúpus, pode ser assustador, devido às expectativas que você cria. Aqui nós vamos tentar dar algumas dicas sobre esse processo. Não importa se você é um paciente novo ou se já está *acostumado* ao lúpus, esperamos que essas informações o ajudem a tirar o máximo proveito de suas visitas ao médico.

Qual Médico?

A resposta padrão para a pergunta "Que médico devo procurar?" é, "um reumatologista". Eles são especialistas em doenças reumáticas (o lúpus é uma delas). Contudo, qualquer bom médico pode cuidar de você: Clínico Geral, Neurologista, Dermatologista, Nefrologista etc.

A palavra chave aqui é Competência. Seu médico deve ter um bom conhecimento a respeito do lúpus e, de preferência, já ter tratado de outros pacientes com o mesmo problema. Ele também deve ter discernimento bastante para encaminhá-lo a um médico mais experiente se ele ou ela achar que isso é melhor para você.

Um ponto importante: você deve ter UM médico que vai agir como o médico principal. Este médico deve coordenar os esforços/tratamentos dos outros médicos que estejam envolvidos no seu caso. Isto é muito importante, pois se um médico não souber o que os outros estão fazendo, ele facilmente poderia prescrever medicamentos ou tratamentos que entrem em conflito com os que você está tendo.

Tenha em mente que o relacionamento que você tem com um médico em particular, pode ser diferente ao de um outro paciente. O que funciona para você, pode não funcionar para outro. Apenas você pode determinar o médico certo, aquele que você se sente melhor.

A primeira consulta

Preparação

Você encontrou um médico, marcou a consulta (que pode ser para daqui algumas semanas ou alguns meses). Então, o que você deve fazer para se preparar para essa consulta? A seguir, você tem uma lista de susgestões e preparativos que irão ajudá-lo na sua primeira consulta (e algumas vezes nas consultas seguintes):


Mantenha um relatório dos seus problemas. Pode parecer bobagem, mas até a consulta você esquecer sintomas importantes que você está tendo. Não limite esse relatório apenas ao que *você* acha que é importante; peça ajuda às pessoas mais proximas a você para fazê-lo. Problemas aparentemente sem importância podem ser pistas valiosas para identificar o tratamento adequado a você.
Mantenha uma lista ordenada das suas perguntas. Quando se está nervoso (e normalmente estamos em uma consulta), podemos esquecer alguns pontos importantes. Se você tiver uma lista preparada (que irá guiá-lo na consulta), você naõ precisará se preocupar em lembrar nada.
Mantenha uma *cópia* do seu histórico médico atualizado. Receitas de outros médicos, exames etc. Tenha cópias de tudo para, se precisar entregar ao seu médico, não ficar sem os originais.
Quando se arrumar para ir ao médico, use roupas leves e confortáveis. Não use coisas complicadas, pois você talvez precise tirar algumas peças para alguns exames.
Não use maquiagem! Uma das coisas que o médico vai observar é sua pele. Se você estiver usando maquiagem, ele/ela não vai ter uma visão acurada dela.
Leve alguma coisa para se ocupar: um livro, revistas, cartas etc. Você pode ter que esperar um longo tempo e isso vai fazer essa espera suportável.
Leve um bloco de rascunho e/ou anotações. Quando o médico responder sua perguntas, você poderá relembrar suas respostas se tiver tomado nota de tudo.
Vá acompanhado(a)!!! Esta é a melhor dica. Se puder, leve alguém próximo a você. Essa pessoa provavelmente não estará nervosa e, com sorte, se lembrará de qualquer coisa que você esquecer. Também, nós nos sentimos mais confiantes quando há uma outra pessoa ao nosso lado.
A visita
Sua primeira visita ao reumatologista deveria, pelo menos, consistir de um exame físico, exames laboratoriais, e narrativa do seu caso. A ordem desses itens pode variar de médico para médico. Se alguns desses itens for deixado de lado na sua primeira visita, cuidado!! Você pode não estar recebendo a atenção merecida.

A narrativa do seu caso

Esta parte da sua consulta, consiste da perguntas que o médico ira fazer a você. Perguntar o quê? Tudo! Uma história bem abrangente deve incluir você, seus pais, irmão e irmãs, filhos, e quem mais o médico mencionar. Seu médico vai querer saber todos os detalhes do seu problema, mesmo aqueles que você considera irrelevantes. Provavelmente ele fará algumas perguntas que farão você se sentir desconfortável (sobre seu ciclo menstrual, seus hábitos sexuais). Você deve responder todas as perguntar com a maior honestidade possível -- suas respostas fornecerão informações importantes que poderão afetar a maneira como o médico vai tratar sua doença.

Exame físico

Na sua primeira visita, você deve ser submetido a um exame extensivo. O médico provavelmente irá *testar* todas as suas juntas -- dobrando, puxando, e sentido-as. Muitas vezes ele irá comparar suas juntas do lado esquerdo com as juntas do lado direito -- para notar inchaços e assimetria. Ele também deve testar seus músculo quando você *resiste* ao ser forçado em algumas partes do corpo. Ele vai examinar a sua pele, checando por qualquer anormalidade. Ele também deve: examinar seus ouvidos, olhos, nariz, boca; sentir a sua garganta; apalpar seu abdomen; ascultar seu coração e pulmões.

Além disso: medir sua temperatura, tirar sua pressão sangüínea, seu peso. Existem outras coisas que o seu médico deve observar, mas isso depende dos resultados que ele encontra nos exames preliminares, por exemplo: se você reclamar de secura nos olhos, ele pode realizar um teste de Schirmer, para verificar se você está lacrimejando o bastante.

Exames laboratoriais

O lúpus pode e normalmente causa certas anormalidades nos resultados de algunas dos seus exames. Por essa razão, seu médico provavelmente vai queres vários exames. Entre os mais comuns estão: CBC (completa contagem sangüínea), Diferencial, Níveis de Complemento, ANA, Anti-fosfolipídios, painel Químico, Taxa de Sedimentação e exames de urina. Existem muitos outros exames que ele pode pedir -- esses são os poucos mais comuns para pacientes com lúpus. Felizmente, raramente vão ser precisos mais do que 5 ou 6 tubos de sangue (mas existe uma possibilidade!).

Depois de tudo dito e feito, ao final de sua primeira consulta, ou mesmo em outras visitas (normalmente após o resultados de todos os seus exames sangüíneos), seu médico irá sentar com você e explicar o que foi desconberto, quais são as suspeitas, e quais os planos para tratamento. É aqui que você deve apresentar suas dúvidas e questionamentos. Não se dê por satisfeito com jargões médicos que você não entende, insista para que o médico responda suas perguntas de uma forma que você entenda completamente as respostas. monkey
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O relacionamento entre médico e paciente

Mensagem  Daniella Pessoni em Qua 04 Jun 2008, 13:15

Uma das coisas mais importantes e decisivas para o sucesso de um tratamento, especialmente de uma doença crônica, é o relacionamento entre médico e paciente. Pacientes com lúpus normalmente enfrentam problemas singulares, o que influencia enormemente esse relacionamento. Esses pacientes podem precisar de cuidados por muitos anos e, uma vez que o lúpus pode afetar vários diferentes órgãos e sistemas do corpo, eles podem precisar de médicos de diferentes especialidades ao mesmo tempo. Poucos médicos entendem bem o lúpus, e já que ainda há muita coisa desconhecida sobre a doença, o paciente pode encontrar diferentes opiniões a respeito da melhor forma de tratá-lo. Para completar, uma vez que o lúpus tem efeitos físicos e psicológicos, os pacientes podem apresentar dificuldades em se relacionar com outras pessoas. Issa dificuldade pode interferir no seu relacionamento com o médico.

Médicos e pacientes interagem de uma maneira íntima e muito complexa. Com os grandes avanços tecnológicos da medicina nos últimos 40 anos, muitos aspectos desse relacionamento médico-pacientes foram alterados. A começar pela escolha do médico, onde normalmente leva-se em conta o plano de saúde que o paciente possui. Há ainda, a dificuldade do médico visitar pacientes fora dos hospitais e centros de tratamento e a substituição do Clínico Geral por um crescente número de especialistas. Contudo, a natureza básica do relacionamento médico-paciente não foi alterada.

Médicos e pacientes sempre têm abordado as questões de saúde de maneiras diferentes. Quando o paciente leva suas reclamações ao médico, ele espera que toda dor e sofrimento que está sentindo desapareça imediatamente. Eles também esperam que seus medos sejam dissipados, que sua doença seja curada, e que qualquer tratamento necessário seja o mais indolor e barato possível. Os médicos, por outro lado, esperam acima de tudo, que eles possam diagnosticar corretamente o problema do paciente e indicar o tratamento adequado. Os médicos também têm esperança de por um fim aos medos e ao sofrimento dos pacientes, mas eles sabem que, muitas vezes, isso não é completamente possível.

No caso do lúpus, o diagnóstico pode ser o maior problema para os médicos. A maioria deles não acompanha muitos casos da doença, o que faz com que tenham dificuldades para reconhecê-la. Nos casos mais antigos, mesmo os mais experientes reumatologistas por várias vezes não concordavam nos diagnósticos. Os médicos nunca querem classificar alguém como portador de uma doença muito grave, até que eles estejam certos disso. Nisso, eles pedem um grande número de exames antes de dar o diagnóstico o que, involuntariamente, só faz aumentar os aborrecimentos do paciente. Enquanto o médico está à busca do diagnóstico correto, os pacientes, desconhecendo esse dilema do médico, podem achar que não estão recebendo a atenção merecida para as suas queixas e temores.

Os problemas também podem aparecer a respeito do tratamento recomendado. O médico pode achar por bem, devido ao estado em particular do paciente e a gravidade do caso, prescrever medicamentos como esteróides e imunossupressores (como os usados no tratamento do câncer). Esse tipo de tratamento pode acarretar efeitos colaterais indesejáveis e perigosos que devem ser explicados ao paciente. Tais explicações podem fazer com que o paciente fique confuso ou até mesmo recuse o tratamento. O médico deve, então, ressaltar o fato de que a doença, se não for tratada, pode ser mais perigosa e dolorosa do que a terapia. Infelizmente essa discussão, que por um lado ajuda o paciente a entender o problema, pode servir para aumentar os seus temores e sua ansiedade.

O mal-entendido entre o médico e o paciente pode ser decorrente de expectativas equivocadas que cada um pode ter. Vamos revisar algumas das coisas que o médico e o paciente podem esperar um do outro, e outras coisas que eles não deveriam pensar.

Algumas coisas que o paciente DEVE esperar do seu médico:

-Que o médico seja bem treinando e competente.
-Que o médico seja uma pessoa responsável e ciente de suas obrigações, e que sempre tentará fazer o melhor.
-Que o médico busque ajuda de outras pessoas se ele atingir o limite de seus conhecimentos e habilidades.
-Que o médico tenha bom senso moral, e que nunca vai tirar vantagem da intimidade física que o paciente permitir.
-Que o paciente vai manter em sigilo qualquer informação particular.
-Que o médico o trate com respeito e cortesia.
-Que o médico mostre consideração e interesse pelo sofrimento e temores do paciente.
-Que o médico mantenha um esforço contínuo para explicar a natureza da doença ao paciente, bem como o tratamento proposto.
-Que o médico, quando não estiver disponível, tenha substitutos à altura para o caso de emergências.
-Que o médico não forneça informações a seu respeito a terceiros sem a devida autorização.
-Que o médico converse sem restrições com outro profissional consultado a respeito do diagnóstico e/ou tratamento, se o paciente assim desejar.
-Que o médico considere a vida e situação financeira do paciente na hora de escolher um tratamento.
Algumas coisas que o paciente NÃO deve esperar do médico:
-Que o médico pode encontrar a solução para todos os problemas físicos.
-Que o médico vá tratar o paciente com a afeição de um amigo próximo ou de um membro da família.
-Que o médico é empregado do paciente, estando à sua disposição a qualquer momento.
-Que o médico estará sempre disponível para o paciente.
-Que o médico tem tempo ilimitado para passar com o paciente.
-Que a medicina é uma ciência exata e que todos os médicos chegam às mesmas conclusões e recomendações ao observar um mesmo conjunto de problemas.
-Que o médico pode sempre fazer o leigo entender problemas médicos muito complexos.
Os pacientes com lúpus devem perceber que eles têm uma doença crônica que não tem cura. Pelo fato da doença ser pra toda vida e ser bastante complexa, o paciente que encontrar um bom médico faz muito bem em permanecer com esse mesmo médico. Quando pacientes mudam de médico, informações vitais sobre o caso podem ser distorcidas ou perdidas. E essas informações, sobre como a doença tem afetado o paciente, são muito importantes. Algumas vezes a chave para entender o que está acontecendo, é entender o padrão das crises anteriores da doença.

Muitos pacientes com lúpus, assim como outros com doenças crônicas, criam uma certa dependência do médico e procuram por eles como fariam com seus pais ou com amigos queridos. Os médicos, contudo, não se sentem confortáveis ao tratar dos próprios filhos ou de amigos próximos. Os médicos precisam manter uma certa distância entre eles mesmos e os pacientes, dessa forma, o lado emocional não vai influenciar no julgamento profissional. É por isso que os médicos devem criar certos limites para as vontades de seus pacientes. Exceto em emergências, o médicos consultam pacientes apenas no horário comercial. Eles arranjam substitutos para quando não estiverem disponíveis. Alguns dos mais qualificados médicos são afiliados de grandes hospitais-escola, e sempre têm jovens médicos em treinamento (residentes ou colegas) ajudando-os a cuidar de pacientes. Ao entender as razões por trás dos limites interpessoais, os pacientes podem aprender a aceitá-los.

Uma grande fonte de confusão entre o médico e o paciente com uma condição complexa como o lúpus, reside nas tentativas que o médico faz de explicar, em linguagem simples, o que está acontecendo. Uma vez que as informações acerca do lúpus, e mesmo as palavras usadas para descrever essas informações, são constantemente alteradas, dificilmente dois médicos irão entender e/ou explicar o lúpus da mesma maneira. Normalmente, quando os médicos traduzem seus entendimentos da linguagem médica para a linguagem do dia-a-dia, eles o fazem de maneiras diferentes. O paciente com lúpus normalmente ouve duas explicações diferentes para um mesmo problema, de dois diferentes médicos. Por exemplo, um deles pode explicar que o lúpus e o resultado do ataque das defesas do corpo contra si mesmo, que o lúpus é uma doença auto-imune. Outro pode descrevê-lo como uma doença dos vasos sangüíneos, conhecida como vasculite. Ainda um terceiro, pode dizer que o lúpus é uma doença do tecido conjuntivo, similar à artrite reumatóide. Todos estão corretos.

Algumas coisas que o médico DEVE esperar do paciente:

-Que o paciente não vai omitir nenhum fato sobre sua doença.
-Que o paciente tentará seguir as suas sugestões de tratamento, ou lhe dirá quando isso não for feito.
-Que o paciente não faltará às consultas ou irá cancelar, assim que possível, aquelas que não puder comparecer.
-Que o paciente irá tratá-lo com cortesia e educação.
-Que o paciente irá assumir a responsabilidade de perguntar pontos sobre sua doença que ele/ela não entenda muito bem.
-Que, dentro das habilidades do paciente, esses seja responsável por saber de seu histórico médico e tratamento.
-Que o paciente jamais irá pedir ao médico para agir de maneira ilegal ou antiética.
-Que o paciente ou uma terceira parte, como um plano de saúde, irá pagar o médico por seus serviços.
Os pacientes podem ser bastante úteis ao manter registros das ocorrências médicas mais importantes, com notas sobre que medicamentos tem tomado, doses utilizadas, quando começou a ingeri-los e por quanto tempo. Tais registros são especialmente importantes quando o paciente toma esteróides. A forma de uso dessas drogas são pistas importantes para se conhecer a atividade da doença. Pacientes que ingerem esteróides por um longo tempo, algumas vezes aumentam as doses por conta própria a se sentirem ruins, ou se esqueçem de tomar os medicamentos quando estão se sentindo bem. Se isso acontecer, o médico deve tomar conhecimento para, no futuro, prescrever os medicamentos de maneira correta.

Algumas coisas que os médicos NÃO devem esperar do paciente:

-Que o paciente seja grato ao médico pelo seus cuidados.
-Que a opinião do médico nunca seja questionada pelo paciente.
-Que o paciente irá automaticamente seguir todas as ordens médicas.
-Que o paciente sempre será capaz de manter a raiva, depressão e medo a respeito de sua doença sob controle, e nunca irá descontar esses sentimentos no médico.
-Que o paciente irá compartilhar os mesmos costumes morais e valores do médico.
-Que o paciente tenha qualquer obrigação de continuar sobre seus cuidados.
Médicos que cuidam de pacientes com lúpus devem ser muito cuidadosos para não interpretar a resposta emocional do paciente à doença como um reflexo dos seus sentimentos por eles. Pacientes com lúpus com freqüência são nervosos ou deprimidos. O médico não deve se sentir ofendido por tais emoções mas deve ajudar o paciente a entender de onde ela vêm. O médico deve se certificar de que esses sentimentos não estejam ficando piores devido aos efeitos dos medicamentos ou da atividade da doença.

O médico também deve estar atento para não permitir que diferenças culturais aumentem a diferença entre ele e o paciente. Por exemplo, estudos realizados sobre uma variedade de procedimentos médicos mostram que médicos homens ignoram um pouco mais as reclamações de pacientes mulheres, ao contrário do que acontece quando os pacientes são homens.

Muitos pacientes se sentem frustrados porque esperavam que o médico fosse uma combinação de pai, amigo e milagreiro. Muitos médicos ficam tristes porque esperavam que os pacientes seguissem suas recomendações sem questioná-las, se pedir mais nada, sem emoção alguma. Felizmente, se ambos os indivíduos envolvidos na relação médico-paciente puderem olhar para essa interação de modo mais realista, eles começarão a apreciá-la como verdadeiramente única, mutualmente recompensadora, como realmente deve ser.

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Vivendo Bem Com o Lúpus

Mensagem  Daniella Pessoni em Qua 04 Jun 2008, 13:23

O que é bem-estar?
Como uma pessoa pode viver bem tendo uma doença crônica? Para muitas pessoas com lúpus, viver bem significa adotar uma filosofia de bem-estar. Bem-estar é uma abordagem para se viver e o primeiro passo para encontrar o bem-estar é entender o que significa "viver bem". Uma vida com bem-estar requer atenção com o corpo, com a mente e com o espírito. Requer um planejamento bem pensado e um cuidadoso ajuste de sua rotina diária. Viver bem com lúpus é difícil algumas vezes, mas é possível e vale o esforço.

Bem-estar significa tomar a decisão de estar o melhor que você puder e assumir responsabilidades por fazer o que ajuda e o que dificulta a sua vida. Isto requer que você entenda e aceite que tudo que você faz para o seu corpo, pensa em sua mente e acredita em seu coração, tem um impacto em seu estado de saúde.

A saúde é afetada pelo seu bem-estar, mas o bem-estar é muito maior do que a saúde. Pessoas doentes, debilitadas, e mesmo aquelas nos últimos dias de suas vidas podem experimentar o bem-estar. Bem-estar é fazer opções e cumprir compromissos que melhoram sua vida. Viver bem com os desafios do lúpus requer entendimento do impacto que uma doença crônica tem no corpo, na mente e no espírito. Essas três áreas são inseparáveis; a melhora em uma delas leva à melhora em outras.

O bem-estar não "acontece", precisa ser trabalhado dia-a-dia. Deve ser planejado com uma visão positiva e com uma avaliação realista do seu potencial. Viver bem com lúpus requer um plano balanceado. Manter esse balanceamento inclui: identificar o que você quer fazer em cada área, determinar objetivos e estabelecer um compromisso com si mesmo. Em essência, você faz um comprometimento de começar a viver e apreciar uma vida de bem-estar. Este comprometimento coloca você no controle, ao invés de ser controlado pela doença.

O bem-estar da mente

As pessoas com lúpus podem não ser responsáveis pelo desenvolvimento da doença, mas são responsáveis pela maneira como reagem a ela. Atitudes, sentimentos e pensamentos têm impacto sobre a saúde. A mente orientada para o bem-estar é aquela que opta por ver o mundo de uma maneira positiva. Viver bem com lúpus tem mais a ver com suas facilidades do que com suas dificuldades. Optar por se ver como uma pessoa ativa e responsável por si mesmo ou como uma vítima da doença, é uma escolha pessoal.

O planejamento para o bem-estar inclui pensar nos seus comprometimentos diariamente, procurando encontrar alternativas para economizar suas energias. Visualize o que precisa ser feito e decida se você está apto para tal. Seja flexível; se você não tem força para fazer algo hoje, esse algo pode esperar. Ou faça por etapas; faça o que você puder agora e deixe o resto para depois. Se você se esforça quando não tem energia física para completar a tarefa, pode ter que pagar por isso com mais fadiga. Uma atitude positiva combinada com um plano de ação bem pensado vai aumentar as chances de sucesso.

Suas atitudes, pensamentos e sentimentos são muito particulares, e você é livre para alterá-los à medida que desenvolve um bem-estar mental. Se você se sentir com medo, chateado, confuso, cansado ou deprimido em sua vida, não há nada dizendo que você tem que manter esses pensamentos e sentimentos, sendo controlado por eles. Você pode optar por mudar. Você pode tomar a decisão de tomar uma nova atitude, e então seguir os passos para que essas mudanças aconteçam. Viver é uma opção, e ela é toda sua.

O bem-estar do corpo

Para operar eficientemente o corpo humano precisa de condicionamento físico, alimentação e controle do estresse. O condicionamento físico é importante pois ajuda a prevenir efeitos indesejáveis, tais como obesidade, fraqueza dos músculos, indisposição ou fadiga. Ele também pode causar efeitos desejáveis como aumento de histamina, vitalidade e confiança. As dores nas juntas, fadiga e fraqueza dos músculos, freqüentemente encontrados em pessoas com lúpus, podem levá-las à inatividade e a uma diminuição do condicionamento físico. O descanso é um componente importante para controlar a fadiga. Pode ser necessário aumentar a duração e a quantidade dos períodos de descanso em uma crise de lúpus. Tão importante quanto o descanso, é importante encontrar um equilíbrio entre um descanso suficiente e um descanso excessivo. Muito descanso é ruim para as juntas, músculos, ossos e para o condicionamento físico geral. A falta de condicionamento físico pode ser indicada por um ganho inesperado de peso, dores musculares após esforço maior ou constante, ou por perda de força ou resistência.

Estudos mostram que o condicionamento físico pode ser melhorado em pessoas com doenças crônicas sem nenhum efeito colateral. Seu médico, ou terapeuta, pode recomendar um programa individualizado de exercícios em casa. As chaves para alcançar seu nível ideal de condicionamento são:

achar uma atividade que interessa a você;
fazer um comprometimento (e colocá-lo por escrito) com seu plano de exercícios;
reconhecer desculpas que você poderia usar para burlar o seu plano;
listar os benefícios que você espera do condicionamento;
registrar seu progresso. Você tem que se orgulhar de estar sob controle, ficando mais forte e com o melhor condicionamento possível com lúpus;
Alimentação
A alimentação fornece o combustível necessário para que o corpo execute suas funções normais. Seu corpo requer nutrientes balanceados. Dietas ricas em gordura devem ser evitadas, pois não são necessariamente nutritivas. Comer bem e com sapiência é essencial para se encontrar o bem-estar e viver bem. Não existem orientações específicas para a dieta de uma pessoa lúpica além da de cumprir uma dieta balanceada que inclua as quantidades apropriadas de cada grupo alimentar. Muitos estudos sobre o efeito das dietas nas doenças, identificaram 3 recomendações básicas para a saúde em geral:

Uma dieta balanceada inclui uma variedade de alimentos, de todos os grupos alimentares. Comer alimentos pobres em gordura, ricos em fibras e menos requintados.
Alimentar-se e exercitar-se para manter uma composição ideal do corpo: os corticóides normalmente aumentam o apetite e, há menos que você tenha cuidado, um ganho inesperado de peso pode ocorrer. Perceber que comer exageradamente é incompatível com um estilo de vida saudável já é um passo à frente para controlar o peso e praticar o bem-estar.
Se você quer perder peso concentre-se em dois pontos: exercite-se mais e diminua a ingestão de gordura. Os exercícios aumentam a massa dos músculos de sustentação e amplia a capacidade do corpo de queimar gordura.
Como saber se você está ingerindo muita gordura? Registre tudo o que você comer num dia. Consulte um livro de nutrição (ou nutricionista) para determinar a sua ingestão de gordura e de calorias. A gordura não deve representar mais do que 30% do total de calorias ingeridas. Determine objetivos realistas de como você pode melhorar sua dieta. Seja paciente; mudanças nos hábitos alimentares levam tempo (semanas) antes que resultados sejam visíveis. Evite dietas que oferecem perdas milagrosas de peso. Aquelas que têm comprovação de pesquisas científicas e que são adotadas por vários especialistas têm mais chance de dar certo. Quando se trata de bem-estar, não existem soluções rápidas. As ações mais importantes que você pode tomar para manter o bem-estar físico inclui alimentação adequada, exercícios físicos e manutenção de seu peso em um nível apropriado.
O controle do estresse pode ser alcançado usando várias técnicas de auto-ajuda. O lúpus afeta muitos aspectos da vida de uma pessoas: relações íntimas e familiares, status vocacional, finanças, auto-estima, humor, moral e senso de controle pessoal. Controlar o estresse que ocorre nessas áreas pode ser uma batalha e, algumas vezes, confuso e embaraçoso. Estudos científicos mostram que pessoas que são ativas e que acreditam ter algum controle sobre suas vidas são mais saudáveis que aquelas pessoas passivas que acreditam serem vítimas indefesas.

A participação em um grupo de apoio pode fornecer ajuda social e emocional. Grupos de apoio também podem ajudar a desenvolver ou aprimorar suas habilidades de lidar com problemas, o que alivia alguma tensão de doenças crônicas. A participação em grupos de apoio eleva a auto-estima, moral e autoconfiança. Trabalhar para melhorar a comunicação entre paciente e médico é uma maneira de ajudar a pessoa a ganhar um senso de controle e diminuir o estresse. Isto pode ser conseguido da seguinte forma:

prepare-se para a visita ao médico, fazendo uma lista de perguntas e um breve relato de problemas correntes.
mantenha um diário médico.
leve seus medicamentos com você.
pergunte como e porquê um medicamento precisa ser tomado.
se algum medicamento causar efeito colateral, avise seu médico.
tenha por objetivo o entendimento das recomendações do seu médico. Você e ele são igualmente responsáveis por manter uma clara comunicação sobre sua saúde e seu bem-estar.
O bem-estar do espírito
Quando uma pessoa é diagnosticada com uma doença crônica, isto pode ter um profundo efeito nos seus mais íntimos conceitos. É uma experiência emotiva sendo normal um certo período de aflição. Pessoas com lúpus freqüentemente passam por períodos de negação, raiva, medo, depressão, negociação e, finalmente, de aceitação, uma vez que eles passam a conviver melhor com o lúpus. Aceitar a doença e reorganizar a vida leva tempo. Permita-se sofrer pela perda da sua vida antes do lúpus, dessa forma você pode aceitar e definir melhor a sua vida com o lúpus.

O processo de redefinir quem você realmente é e os seus objetivos na vida normalmente é fácil. Às vezes se torna um pouco mais difícil devido à falta de informações sobre o lúpus. Entender o que é o lúpus e o que esperar de sua vida à partir daí pode diminuir o medo do desconhecido. Desenvolver um espírito orientado ao bem-estar é um processo que envolve tempo. Assim como no desenvolver do bem-estar do corpo, o planejamento é a chave para desenvolver o bem-estar do espírito. Este planejamento inclui adoção de uma atitude positiva desenvolvimento de uma paixão por alguma coisa fora de si mesmo, algo ao seu redor que pode dar um objetivo à sua vida.

"Esforçar-se para ser feliz" (Striving to be happy) nas palavra de Abraham Lincoln, "Muitas pessoas são felizes à medida que eles programam suas mentes para tal."

Uma maneira mais próspera de viver pode ser encontrada ao explorar quem você é, porquê você está aqui e o quê você pode fazer. Descobrir quem é você é uma coisa maravilhosa. Uma vez que em sua vida se forma um senso de finalidade, de propósito de viver, a mente, o corpo e seu estado geral de vida melhoram.

Resumo

O bem-estar é uma filosofia onde o indivíduo é responsável pelo desenvolvimento positivo da mente, do corpo e do espírito. É uma escolha consciente de buscar atitudes que melhoram e enriquecem a vida. O bem-estar requer que você desenvolva e use um plano baseado nas suas reais potencialidades. Um plano para alcançar o bem-estar inclui metas para aprimorar cada área: a mente -- através da ênfase em desenvolver atitudes positivas; o corpo -- através do cuidado com o condicionamento físico, alimentação e controle do estresse; e o espírito -- através de reflexões sobre a vida.

Como reconhecer uma pessoa que vive bem com o lúpus? Eles são indivíduos que se concentram em seus talentos e habilidades presentes. Você raramente vai ouvi-los lamentar sobre o que eram aptos a fazer antes da doença. Suas vidas com lúpus têm um novo significado. Fazer o melhor do presente e planejar para o futuro é o que é importante para eles. Pessoas que vivem bem com o lúpus entendem que opções e alternativas estão disponíveis para sua escolha.

Eles controlam suas vidas ao invés de deixarem o lúpus controlá-las. Eles tiveram sucesso ao passar pela aflição inicial, e poderão dizer-lhe que não é um caminho fácil. Através da aceitação, eles alcançaram o entendimento de que a vida não se resume ao lúpus, ele é apenas uma parte dela. Eles assumem responsabilidades pela sua saúde e pelo seu bem-estar e estão aptos a sair de si mesmos para ajudar outros.

Adotar um estilo de vida com bem-estar pode fazer a diferença entre apreciar a vida ou simplesmente sobreviver com o lúpus. A escolha é sua. monkey
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Exercícios Para Portadores de Lúpus

Mensagem  Daniella Pessoni em Qua 04 Jun 2008, 13:24

Pés
Sentado com as pernas esticadas
Levante e abaixe os pés;
Faça círculos com os pés, uma vez no sentido horário e depois o inverso;


Joelhos
Deitado com as pernas esticadas
Contrair os músculos das coxas e ao mesmo tempo levantar os pés para cima (apontando para o teto) segurar e contar até 5, relaxar e repetir;
Dobrar joelho direito e esticar. Repetir com o joelho esquerdo;
Contrair joelho esquerdo, levantar o pé para cima e levantar toda a perna esticada , abrir a perna para o lado. Voltar para a posição reta e abaixar devagar. Repetir com a outra perna.


Quadris
Deitado de costas
Dobrar joelhos, colocar as solas dos pés no chão, levantar o quadril, tirando-o do chão e abaixar;
Com as pernas esticadas, entreabertas( pés alinhados com ombros)vire-as inteiras, juntamente com os pés para fora e para dentro.


Torso
Deitado de Costas
Dobre joelhos, sola dos pés no chão, mantendo os joelhos juntos, role-os de um lado para o outro.


Ombros
Sentado com o nível dos ombros e as costas retas
Ponha as mãos nos ombros e estique os braços para cima em direção ao teto;
Mãos nos ombros e estique os braços para os lados;
Mãos nos ombros e estique os braços para frente;
Coloque as mãos atrás do pescoço, e depois atrás da cintura;
Encolher os ombros até "encostasr"nas orelhas e depois abaixá-los;
Mãos nos ombros e com os cotovelos, faça círculos para trás.


Cotovelos
Sentado com os ombros nivelados e as costas retas
Abrir os braços lateralmente, dobrar cotovelos, virar as palmas para cima e para baixo;


Punhos e dedos
Sentado ereto
Levantar e abaixar os punhos;
Feche os punhos e depois estique os dedos;
Espalme os dedos bem abertos e recolha encostando os dedos;
Encoste cada ponta de dedo à ponta dos dedões;
Faça círculos com os dedões


Pescoço
Sentado ereto
Olhar para o teto e depois olhar para o chão;
Olhar por sobre o ombro direito, manter o olhar no nível, e depois para o ombro esquerdo;
Olhando para frente, deixe a cabeça cair de um lado devagar (orelha sobre ombro) Repetir do outro lado;
Abrir bem a boca e depois fechá-la.
Depois dos exercícios

Reserve meia hora ou mais cada dia para deitar-se em superfície plana, com um travesseiro sob a nuca para manter quadris e coluna o mais reto possível.

Todos os exercícios deveriam ser feitos 4 vezes cada mas, onde as juntas estiverem muito doloridas, é suficiente movimentá-las duas vezes de forma completa.

Caso deitar-se no chão seja difícil, os exercícios podem ser feitos em cama dura. monkey
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Comentários

Mensagem  Regina Guimarães em Qua 04 Mar 2009, 17:57

I love you Dani!!!
Que DEUS esteja sempre cuidando e abençoando, você e sua família. AMÉM.
Nossa!!! Maravilhosa as matérias colocadas!!! Tenho certeza que ajudará a muitos de nós.
Obrigada, pelo carinho de sempre, para conosco.
Beijo no coração.
Rê Guimarães. sunny

Regina Guimarães
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parabéns dani!!!

Mensagem  cristiane carla da costa em Qui 06 Ago 2009, 12:44

obrigada pelos esclarecimentos!!!
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cristiane carla da costa
Ainda sou novata(o) e gosto de atenção.
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R:Dicas para lidar melhor com les

Mensagem  * Meiryl em Seg 17 Ago 2009, 02:57

cheers Que Deus a abençoe sempre,otimo,acredito que todas informações tc serão de grande utilidades em nossas vidas,fica com Deus querida. flower
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Re: Dicas para lidar melhor com o Lúpus

Mensagem  planodesaudesp em Sab 15 Out 2011, 21:04

Obrigado pelos esclarecimentos.

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Re: Dicas para lidar melhor com o Lúpus

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